15 julho 2013

Headphones on, world off.

Houve uma altura quando estava praticamente o dia todo com auriculares. Por vezes nem tinha música, simplesmente estavam colocados, por vezes ajudavam a ter algum "sossego". Outras vezes (na grande maioria) ouvia música, discursos ou audiobooks. Achava que assim ajudava a passar o tempo ou a "ignorar" alguns pensamentos ou barulhos de fundo. Como diz aquele ditado "headphones on, world off."

E devo admitir que até resulta. Mas parei de o fazer. Pelo menos tantas vezes, já não uso no metro ou no bus, nem na rua. Senti que estava a saturar um dos meus sentidos para escapar a alguma coisa. Estava a abafar alguns pensamentos e sons porque não queria lidar com eles e o mp3 era uma excelente forma de escape, ainda por cima quando adorava o que ouvia.
Agora já não o faço tantas vezes. Passo mais tempo sem auriculares, tem apreciar os sons do mundo, das pessoas... tudo. Faço-o como forma de meditação. Respiro calmamente, aprecio cada som, seja ele qual for. Noto quando começa, como se propaga e como se mistura com outros sons. Tento diferenciar cada som na balbúrdia sonora que diariamente nos envolve na cidade. É uma excelente oportunidad para meditar. Assim aprendemos a ouvir melhor e a dar valor ao que ouvimos.

E esta capacidade que temos é fantástica, conseguir interpretar diferenças de pressão que chegam até nós e fazem sentido, com o seu ritmo e tons... adoro.

Voltando à parte da diferenciação dos sons, é um dos meus passatempos atuais. Tentar diferenciar o maior número possível de sons de uma mistura e identificar a origem de cada um. Adoro ir no autocarro e ouvir o som dos pneus a rodar no asfalto e como o som muda a cada curva e ainda depende da velocidade do autocarro, da curva e do número de pessoas que vão no autocarro. Depois vem o barulho das portas a abrir, cada engrenagem e sistema hidráulico...

É uma espécie de meditação no caos sonoro e deste caos encontramos paz. E a capacidade de estarmos em paz independentemente do local é algo que requer prática, muita prática. Mas é algo que recomendo vivamente, pois nunca temos completo domínio do que nos rodeia, mas somos totalmente responsáveis pela forma como agimos e reagimos.

Da próxima vez que estiverem para colocar os auriculares, pausem um pouco e tentem ouvir o mundo como se fosse pela primeira vez e apreciem esta dádiva.

02 julho 2013

reconhece a existência do mundo.


"To see a World in a Grain of Sand
And a Heaven in a Wild Flower 
Hold Infinity in the palm of your hand 
And Eternity in an hour"

- Auguries of Innocence by William Blake.

Adoro este pedaço do poema. É lindo, simples e profundo.
Conseguir ver ver o mundo num grão de areia. A paz de espírito que é necessária para observar um grão de areia e ver toda a sua beleza, tudo que contém. Apreciar um grão de areia. A beleza e paz que uma flor tem. O céu que existe numa flor. Quando vou treinar para um parque, aproveito no momento de meditação para me sentar em frente de uma flor ou erva. Uma simples folha de erva tem tanto para ensinar. A forma como cresce, como se move ao vento, como se ajusta ao sol e como o aceita para a alimentar. Simplesmente ali, na sua paz, naquele momento ela existe e vive. Simplesmente está ali, nada de problemas ou fantasias... simplesmente está ali. Verde, serena e pacífica. Após alguns momentos começa a ter uma presença forte... é fantástico. Recomendo quando "tiverem" tempo para fazer algo assim. Seja o que for, erva, flor, grão de areia, gota de água, uma árvore... não importa muito o que é, mas importa mais como olham para isso. Observem com atenção, sem tentar dar um nome ao objecto... apenas prestem atenção que esse objecto existe, as cores que tem, a forma e textura... reconheçam a sua presença. Respirem lentamente e façam isto, é muito bom =)

Não vou comentar o resto do poema... ainda tenho que ir tratar das limpezas e do almoço.

Have a nice day =)

20 junho 2013

vamos lá.

...

Respira fundo.

Expira lentamente.

...

...

Inspira lentamente.


Repete.

...

Repete.

...


Sorri.


Ok, de volta ao mundo.

16 junho 2013

Let it grow by itself.


I wouldn't coax the plant if I were you.
Such watchful nurturing may do it harm.
Let the soil rest from so much digging
And wait until it's dry before you water it.
The leaf's inclined to find its own direction;
Give it a chance to seek the sunlight 
  for itself.

Much growth is stunted by too careful 
    prodding,
Too eager tenderness.
The things we love we have to learn to 
  leave alone.

Woman with Flower 
-Naomi Long Madgett

Um poema lindo e sentido.

10 junho 2013

Continuamos a aprender.

Resolvi publicar um texto que escrevi há quase meio ano atrás. Foi num momento que não me devo esquecer.


"E pronto, mais uma fase que chega ao fim. Não da maneira que tinha planeado... ou que estava à espera. Infelizmente pelo pior. Criamos planos a pensar que com motivação, conhecimento e muita força de vontade conseguimos realizar tudo, mas há sempre alguma coisa que escapa à equação. Mesmo que não seja da nossa parte, acaba por haver alguma coisa que nos atinge. E a Vida sabe bem dar os seus socos. Deixa-nos de rastos. E eu a pensar que já tinha passado por muito... enfim. 


Tentamos seguir o que queremos, começamos a ficar sem muitas possibilidades, o dinheiro começa a escassear e começamos a agradecer pelas boas oportunidades de jejum. Assim, quando voltamos a comer, sempre valorizamos mais a comida e a benção que é poder comer e ter uma refeição quente. Aumenta a empatia por quem está na rua e implora por comida. Tentamos tudo que podemos, direccionamos toda a atenção e energia para conseguir sair da situação e colocamos algumas coisas de lado que nunca deviam ser colocadas de lado. Amigos, família, bem-estar físico e mental. 

Reduzi drásticamente a quantidade de desporto que fazia, passei de treinar quase todos os dias, para uma ou duas vezes por mês, acreditava que esse tempo podia ser usado para pesquisar por oportunidades de trabalho. Idiota. E com a falta de treino o corpo vai enfraquecendo... já não estamos plenos, apertamos mais um buraco no cinto. 

Não estou a queixar-me da situação, haverá pessoas em situações piores, mas custa. Só isso. Ao fim de dedicar-me com sangue, suar e lágrimas para me formar, tive que tirar essa formação do CV para arranjar trabalho. Mas nem assim. 

E vou respirando fundo, dando graças por ainda ter forças para sorrir. Por ainda manter uma boa disposição e optimismo que me mantém a lutar. Por descobrir que quando a comida falha, quando a motivação cai... quando tudo abana... fico contente por estar a seguir a minha paixão, pois é o meu coração quem realmente me dá força para continuar. Estou grato pela família que dá apoio inquestionável, a namorada com a sua alegria contagiante e força que atiça a chama para lutar, pelos amigos que conversam e ouvem desabafos. E destes amigos, posso dizer que tenho feito de todos os géneros, alguns dos mais recentes, fiz na rua. Como não tenho dinheiro para dar aos mendigos, dou atenção. Falo com alguns e escuto... alguns tornam-se amigos. Já não pedem dinheiro, mas chegam, apertam a mão e metem conversa. Posso não lhes ter dado dinheiro, mas fiz amigos. E estes amigos que já me viram passar na rua um pouco para o triste e gritam "Então amigo, que é isso? Vá, Força." ... é fantástico. Alguém que não sabe quando será a próxima refeição, que dorme sem um tecto, debaixo de uma ponte, encontra forças e tem uma forma de viver que lhe permite motivar os outros a ser felizes e a Viver.

Vou aprendendo. E foi das últimas coisas que aprendi no Porto. Que ser orgulhoso e ter vergonha é idiota, é parvo e não faz sentido. Sim, talvez o orgulho de realizar uma tarefa possa ser bom, sentimo-nos bem por ter realizado o que fizemos... chamem isso de orgulho. Eu chamo de satisfação pelo trabalho. E a vergonha... coisa parva esta. Sentirmos vergonha de ainda não termos atingindo o que queremos, de ter medo de dizer que temos dificuldades... a vergonha, essa coisa que nos leva a sofrer e não procurar ajuda. Isto afasta-nos, estreita a ligação com as pessoas. E há pessoas que não merecem que as ligações que temos, sejam fragilizadas. Merecem honestidade e o melhor de nós. E assim vou aprendendo, a vida não dura para sempre... convém não errar muito... mas com os erros vou aprendendo. Vou conhecendo-me melhor e aos que me rodeiam e com esta informação, vou fortalecendo o meu carácter ou melhorar onde posso. Convenço-me que tenho que ser mais forte, mais esperto... mais tudo. Que consigo e vou conseguir. Apenas o trajecto é um pouco acidentado, talvez por ser pouco percorrido... não sei. 

Foi um desabafo... apenas isso."

Escrito em Dezembro de 2012.



E assim escrevi o último texto antes de fazer as malas. Não encontrava emprego e nem sequer vou falar no saldo que estava a negativo. 

Já estava mentalizado que ia embora. Fiz as malas, empacotei livros, folhas e memórias. Até que recebi um telefonema. Uma das entrevistas de emprego para uma bolsa de investigação. Foi escolhido. Não vou entrar em pormenores sobre o que senti neste momento... Mas a melhor forma que tenho para o expressar é através de uma cena de um filme "The pursuit of Happiness", com o Will Smith... no momento em que lhe oferecem o emprego. Agora que revejo o filme, valorizo o papel que ele desempenha e sinto-o... no coração. Basta isto para expressar o que senti.

Para quem ainda está à procura, para quem está num estado onde desistir é a "opção mais sensata"... não o façam. Sim, custa... e por vezes temos que fazer coisas que podem não estar nos nossos planos. Mas não parem de lutar pelo que querem. Aguentem mais um pouco... só mais um pouco. Isto custa dizer porque... porra, custa mesmo dizer... mas algumas paredes existem para sabermos exactamente o quanto queremos uma coisa.

Tinha planos de escrever mais sobre isto, mas por agora não dá. Tenho que voltar ao jantar e voltar ao trabalho. Tenho escrito pouco no blog... estou a tentar encontrar outras formas para escrever o que sinto, tenho saudades. Daí estar a escrever um livro. Sempre que posso aponto ideias e escrevo mais um pouco. Vai crescendo aos poucos. Entretanto estou a aprender um pouco mais sobre podcasts. Dá jeito... quem sabe em breve poderei publicar alguns.

Por agora fica aqui um abraço a todos, um daqueles abraços especiais que nos aquecem. Obrigado por lerem o que escrevo e pelos comentários.

Sejam felizes e lutem, caraças, LUTEM PELO QUE ACREDITAM.

quem foi?

Oh mulher, quem é que conseguiu convencer-te que é normal... ou até aceitável ficares calada e olhares para o outro lado?

07 junho 2013

nem gosto muito de praia...

Não sou pessoa de praia, admito.

Não bronzeio... o que costumo apanhar são escaldões. E fico sempre com areia em locais que perfiro não partilhar. Talvez por isso não goste tanto da praia. 


Há umas semanas para cá, tenho alterado o meu percurso de treino e tenho corrido até à praia. Isto devido a influências do meu irmão e da minha namorada. Como são pessoas que estão mais perto do coração, mais facilmente me deixo influenciar por elas.

Mas como tenho corrido até lá várias vezes, tenho prestado mais atenção ao mar... merece respeito. Já vi ondas com mais de 2 andares... (perto da foz), e já vi o sol a esconder-se para lá do horizonte enquanto uma leve briza refresca o ar. Mas hoje... hmmm, hoje foi fantástico. Por volta das 21h30 corri até ao mar, puxei bem pelo corpo e gostei do resultado. Cheguei à praia a escorrer suor e completamente exausto. Fui até à areia e descalcei-me. Começou a orvalhar. Com o calor que estava fiz o que me parecia natural. Dei um mergulho no mar. Nu. Recomendo vivamente a quem ainda não o fez. É um sentimento de liberdade incrível. Adorei e pretendo repetir. Voltei para casa, tomei um duche frio e agora vou beber um batido de banana com aveia, laranjas e côco =)

Embora goste mais de floresta e montanhas... devo dizer que o mar até tem os seus encantos =)




05 junho 2013

A Vida...

"A Vida não nos pede que sejamos consistentes, cruéis, pacientes, prestáveis, maus, racionais, inconscientes, carinhosos, agressivos, que tenhamos uma mente aberta, que sejamos neuróticos, cuidadosos, rígidos, tolerantes, esbanjadores, ricos, gentis, doentes, engraçados, estúpidos, saudáveis, gananciosos, bonitos, preguiçosos, tolos, simpáticos, caprichosos, sábios, egoístas, compreensivos ou altruístas.
No entanto, a Vida obriga-nos a viver com as consequências das nossas escolhas."

- Richard Bach, “Running From Safety”

22 maio 2013

"They cannot stop me."

from here: http://zenpencils.com/comic/104-malala-yousafzai-i-have-the-right/
E para acrescentar, a rapariga já voltou às aulas =)

PS Já reparei que não cabe bem no blog e mal dá para ver... Isto leva-me a a) começar a trabalhar num modelo mais minimalista e b) pedir-vos para clicar no link que está umas frases acima para poderem ver a mensagem. Vale a pena e recomendo que disfrutem dos trabalhos nesse site =)