29 fevereiro 2012

bonds.



Gosto dos meus pais, honestamente se pudesse desejar descritivamente por uns Pais, não era capaz de desejar pessoas melhores que eles. Sim, têm defeitos... e feitios. Mas compreendo que são humanos como eu. Têm as suas dúvidas e sonhos, lutam todos os dias por aquilo que querem. Assim como eu tenho defeitos e feitios que tento ultrapassar. Acho que por vezes esquecemo-nos que eles também são pessoas e embora sejam uma fonte de inspiração e força, continuam a ser humanos como nós. Talvez caímos na tentação de olhar para eles como pessoas com uma enorme paciência e dotados de mil e uma características que normalmente apenas se conhece em filmes ou livros. E criamos uma imagem irreal sobre alguém que é real, que é humano. E depois esta imagem quebra e pensamos que a culpa é deles ou que eles são isto ou aquilo. Enfim, não estou a dizer que por vezes não erram, é claro que sim, mas têm mais experiência que nós e muitas vezes dão-nos conselhos... acreditando que é o melhor para nós. E nós nem sempre damos ouvidos, e discutimos porque acreditamos que o melhor para nós não é bem o que eles pensam... às vezes acertamos...outras não. E normalmente sabem que há apenas uma forma de aprendermos algumas coisas: fazendo e errando. Aprender e crescer por nós, sozinhos, mesmo sabendo que eles estarão por lá para dar força quando for necessário sacudir o pó da queda e voltar a lutar.

 Recentemente tive a oportunidade de cozinhar para eles, fiz umas batatas assadas em forno de lenha, gostaram muito.  Deviam estar boas, mas são pais, mesmo que não estivessem provavelmente iriam dizer que estavam optimas. Depois do jantar quando estavamos no sofá, ao fim de alguns momentos de conversa eles acabaram por adormecer. Aproveitei para olhar para eles, estavam exaustos de mais um dia de trabalho, mas mesmo assim encontraram força para partilhar uns momentos comigo, para conversar e ouvir-me. Olhei para eles enquanto dormiam... Tento colocar-me no papel deles, imagino que ter um filho a cozinhar para mim, a fazer-me companhia deve ser bom. E o sabor que fica, não pela comida mas pelo significado, deve ser muito bom. Pelo menos espero que seja. Assim como os momentos passados a falar e a discutir isto e aquilo... vá, coisas da vida. Por isso é que gosto de falar com eles, mesmo que seja ao telefone.


bonds.
Eu compreendo que nada dura para sempre, tudo tem um começo, meio e fim. Um dia vou estar sem eles (ou se calhar até vou primeiro...). Por experiência sei que quando esse momento chegar, quem ficar irá desejar ter apenas mais um momento, mais um momento para dizer o que sente e o que pensa. Mais um momento com quem ama. Já vi isto vezes demais, já senti isto vezes demais. Quando perdermos alguém assim tão importante queremos tanto... mas tanto ter mais um momento para poder dizer o que sentimos... pela primeira vez ou repetir mais uma vez ou simplesmente para estar com essa pessoa e partilhar um momento... seja a conversar ou a fazer outra coisa qualquer.
A todos que ainda têm a sorte de poder estar com os pais, aproveitem bem. Um dia irão olhar para trás e sentir uma saudade imensa, por tudo que viveram e (espero que não) sentir que ficou tanto por dizer e fazer. Para evitar isto, espero que vivam de forma a que esta saudade seja breve e assim que surja  seja logo substituída com um pensamento de alegria e satisfação, pois quando tiveram a oportunidade de estar com eles, de conviver com eles, vocês aproveitaram e não ficou nada por dizer.

E lembrem-se, eles são humanos. Têm defeitos e feitios como nós. Não existe formação para pais e também estão a aprender a viver assim como nós estamos a fazer. Podem aprender sozinhos... ou então podemos tentar facilitar as coisas e ajudar no processo.

Por vezes não o digo por palavras, não é fácil expor o que sentimos.
Tento transmitir com acções. E como sei que de vez em quando eles dão
um salto aqui ao blog, bem... espero que leiam isto =)


No final do dia é bom lembrar e perceber que somos apenas humanos
 e estamos todos a travar uma luta.
E talvez algumas palavras de apoio possam ajudar a lembrar isto... a ambos os lados.
Que a minha vida seja uma forma de demonstrar o quanto agradeço tudo que vocês são para mim.



1 comentário:

...Ju... disse...

é um bom texto... e ainda bem que o publicaste porque uma vez ou outra pprecisamos de o reler...
somos humanos!

eu gosto de ir a casa, daquela sensação de "ninho", de poder andar descalça e de ir para a cama deles conversar... sim, sou criança e mimada. Mas cresci e fui educada com mimo e agradeço muito isso! porque sei e aprendi a retribuir, a dar uso a isso! e acredita que, pelo que me parece, não são assim tantas pessoas que têm a sorte que nós temos!